quinta-feira, setembro 27

Ludicidades

Um outro dia percebi em mim uma ligeira fraqueza.

Uma quase vertigem, perto de um frio na barriga.

Ocasionado por sei lá o quê, por um cara durão, um cara que, se me recordo bem, negão, daqueles fortes. Que já chega batendo, sem motivos, sem qualquer aviso, prévio, bate com força, derruba, não dá chance para qualquer estratégia de defesa, não oscila, não vacila, escancara logo o peito e nele permanece como uma espécie de parasita. Presença constante e hora perturbadora, quebra qualquer um na metade, como madeira velha, é difícil, quase impossível, tentar fugir, se esconder, quanto mais a gente corre, mais ele nos percorre, o corpo, por dentro, sem jeito, sem medo, sem dó ou piedade, azucrina a cabeça, atormenta mente, alimenta nossas esperanças e se faz justo quanto ao passado, lembranças, muitas, não esquecidas, freqüentes, eloqüentes, frias, quentes, capazes de solidificar um casamento nunca selado, entre duas pessoas que apenas se gostam, se amam, se querem e se desejam, duas pessoas ou até mais do que duas, três, quatro, quantas forem, quantas tantas, às vezes tão poucas, maravilha sentir, complicado pensar, como eu disse, bate forte, sem aviso, prévio, chega e já arrebenta, sério, gera tristeza, hora felicidade, como numa brincadeira, tétrica, métrica, incomensurável, felicidade essa que me faz recordar que a vida é feita de paixões, paixões de verdade, amor, amor de verdade, uma vida sem paixão, amor, uma vida sem loucuras alucinantes, sem muita emoção, não terá sido bem vivida, aos olhos de muitos, que, assim como eu, sentem quase que diariamente as dores e prazeres de amar, profundamente, como um louco, maluco, sempre, sem pensar, raciocínio de lado nessa hora, o coração é quem manda, o coração é quem dita todo o ritmo, ritmo forte, dessa música, dessa letra, escrita por um cara durão, assim, desses fortes, um negão, de verdade, negão cujo nome é SAUDADE.