Levantei ao sol poente
Com frio, com muito frio
Tomei duas xícaras de café
E postei-me junto à janela
Por longos instantes observei
O movimento à minha frente
Inúmeras situações diferentes
De um infinito passar de pernas
Sorri um sorriso de lado
Admirado, e fechei a janela
O frio congelava minhas idéias
Então calcei um par de meias
Falei ao telefone e combinei
Um sair de casa à tardinha
Dei uma volta pelo centro
E logo voltei à minha morada
De volta à janela entreaberta
Contemplei o tomar do escuro
O acender das luzes da cidade
Olhei para dentro, olhei a cama
Despi-me do frio e das meias
E puxei a coberta até o pescoço
Desliguei as luzes e adormeci
Para hoje poder recordar
Daquilo que ontem fiz.
