Procuro por todos os cantos da cidade
Por todos os lados, em todos os bairros
Nas traseiras de carros e caminhões
Em trens amotinados e estações
Procuro pelos campos floridos
Procuro por onde cantam os pássaros
Por onde dorme o sol, às montanhas
Procuro pelas entranhas
Procuro pelo subúrbio cósmico
Pelas constelações, pelo infinito
Pergunto à imensas vias
Vias de conversão galáctica
Atrás das nuvens, junto à chuva
Procuro entre cada gota no verão
Sobre cada folha no outono
Também na primavera e no inverno
Vou ao céu e depois ao inferno
Alço vôo junto à imensidão
E volto de encontro à profundidade
Entre o auge ou não da vaidade
Já espalhei cartaz por toda a cidade
Mas esqueci de deixar meu telefone
Mas que tolice a minha! É lógico!
Vou procurar no Zoológico!
Entre penas e bicos e mais bicos
Entre cores e grunhidos e arranhões
Entre araras, tucanos e leões
Papagaios, rinocerontes e pavões
Descansei por algum tempo
E retornei muito contente
Bastante convencido, de esta próximo
Ilusão, ou será que não?!
Pergunto ao senhor, à senhora
Pergunto ao garotinho, à mocinha
Procuro em todas as escolas
Nos livros de poesias
Procuro nas memórias póstumas
Nas linhas de Machado, de Assis
Procuro pelas páginas de Camões
Que me tragam de volta inspirações
Por onde andam vocês?
Que me abandonaram de súbito.
Que me deixaram tão, tão...
Só.
Só e somente solitário.
Por onde anda você?
Vítima de tamanha devoção.
Minha plausível, notável e adorável...
Inspiração.
