Ela entra e rapidamente olha de relance. Ela sabe que a estou observando. Devagar, começa a se soltar, a cada movimento, a cada gota, a cada contração. Sinto seu rosto mudando de cor, expressões variadas dominam seu semblante. Percebo a falta de contato mas não me aproximo, ela não deve sequer imaginar o quanto me atrai, mas mesmo assim, permaneço distante, e sigo desta forma por algum tempo. Para ser exato, tempo tive de sobra, apenas não soube aproveitá-lo. Outro dia e a mesma rotina, ela me olha, eu a olho de volta, ela passa por mim sem me tocar, sem olhar nos meus olhos, mas sei, e disso não tenho dúvidas, que seu coração bate acelerado, forte, sintonizando a estação do meu peito, se contorcendo por dentro, angustiada, querendo falar, querendo libertar-se de algo que nem sabe ao certo se está ou não presa.
O tempo passa, veloz como o rio correndo em direção ao mar. A angústia já não a domina, assim como eu já não me sinto mais tão atraído, e quando menos se espera, da noite pro dia, acontece, de forma sensacional, mas infelizmente, separados por centenas de quilômetros. A proximidade dá lugar à utopia eletrônica, os olhares são substituídos por cliques em botões desconfiados. O que me fez correr atrás dela!? Ainda busco resposta para essa questão, talvez o brilho dos seus olhos, a sinceridade em seu olhar, seu jeito menina de ser. Corri, corri atrás, consegui o que mais queria, consegui me aproximar, me tornei conhecido, hoje já me vejo como amigo, e como o amanhã a Deus pertence, faço juz à sabedoria de antigamente, aguardando uma possível oportunidade de a reencontrar, uma nova chance pra dizer alguma coisa, algo que passe de um olhar, de relance, de apenas um reflexo no espelho, pendurado no canto da parede de uma academia, espelho cumplice de outro dia, espelho cumplice de outro dia...
