quinta-feira, dezembro 20

Registros Natalinos

Após quatro meses de criações, dentre elas pura poesia e diversas abstrações, venho, por meio deste espaço, a mim, concebido, para desejar a todos um 2008 iluminado. De luz nos bastamos.

Vejo pelas ruas de minha imensa cidade, São Paulo, iluminações e enfeites vários, vermelhos, dourados, acesos ou apagados, inteiros e já deteriorados, mas vejo, independente de ruas e bairros, a cidade respirando o findar de mais um ano. Não somente o terminar de 2007, mas a conclusão de mais um ano de trabalho, de fé, de amor, de justiça e injustiça, de carinho, paciência (ou não), mais um ano de sol e chuvas, noites e dias e tardes, mais um ano que se passa, mais um ano que se vai. Para muitos, assim como eu, mais um ano de muito aprendizado, de crescimento material e espiritual, ao passo que nosso pão de cada dia ainda nos custa aos bolsos, porém, nossa alimentação mental, só depende de nossa própria eficiência. Durante esses últimos trezentos e tantos dias, fomos cúmplices de alegria e tristeza, de inconformismo e esperança, de euforia e decepções, essas últimas, várias. Venho também ressaltar o fim de ano na Granja do Torto, que, provavelmente, será regado de boas peladas e algum caviar (se é que o nosso ilustríssimo regente sabe o que é), no entanto, milhões de brasileiros que até conhecem ou já ouviram falar, não terão, o maravilhoso prazer, deste desfrutar. Mas não é só de política que devemos tratar, deixa isso prum Jabor ou qualquer outro interessado. Não que eu não seja, mas desse zero a zero já tô cansado. Melhor comentar sobre o Brasil, mas o quê!? Sei que existem imensas possibilidades, mas penso apenas em destacar dois pontos importantes. O esporte, que nos trouxe um pouco mais de infra-estrutura, com o Pan, além de inúmeros recordes e medalhas. E, por conseguinte, o sucesso de bilheteria e de pirataria, inspirado na obra dos ex-policiais do BOPE, André Batista e Rodrigo Pimentel, o filme Tropa de Elite, que alcançou números exorbitantes de audiência, causou pôlemica e virou assunto do dia-a-dia, nada mal para um filme nacional, ou vão me dizer que alguma produção tupiniquim foi tão comentada como essa!? Não foi não, parabéns aos produtores. Não que a obra seja explêndida, mas se tratando de Brasil, tava na hora de alguém dar um basta ao solo rachado e pés descalços do nordeste, como se isso fosse realmente tudo.

Voltando às festividades, não vi até agora sinal de qualquer Papai Noel, imagino que o vovô deva estar bastante ocupado nesses últimos dias. São inúmeros pedidos, oriundos de diversos cantos do mundo. Uns pedem um carro novo, outros se contentam com apenas um novo par de sapatos, outros querem ir ao longe, outros só pedem dignidade, uns querem alegria, outros, um pouco menos de agonia, crianças e seus vídeo-games, crianças e um prato de comida. Por favor Sr. Noel, seja justo desta vez, deixe um pouco de lado os rumos do norte, pense um pouquinho mais do Equador para baixo, pois é onde mais necessitam de sua suprema benevolência. E não me venha com renas ou trenós, pode vir caminhando, ou saltitando, pelas ruas, por todas essas ruas, pela periferia, pelo centro, pelos centros todos, pelas matas, pelas estradas, pelos becos, pelas "quebradas", venha, mas venha mesmo, aguardamos aflitos pelo teu "ho, ho, ho". E se numa esquina qualquer alguem lhe estender as mãos, nãos as cubra de balas ou de sorrisos misericordiosos, dê apenas aquilo de que todos precisamos, dê um abraço apertado, um sinal de afeto, ora, como sou ingênuo e hipócrita não? Mas lhe digo, seus trocados não valem de nada, se for pra dar esmola, que dê o ano inteiro, não somente durante as festas, que dê abrigo também, que dê saúde, emprego, educação, lazer, trocados não. Se não és capaz disso oferecer a esse alguem que estendera as mãos, basta o calor do teu corpo então, dê apenas o teu conforto, teu amor. E diga, ao voltar à tua fábrica de sonhos, assim que estiver sobre o Planalto, que todas essa requisições não cabem somente à ti, ou melhor, não cabem à ti, e sim à esses outros Noéis mascarados, com suas vestes negras e sapatos italianos, com maletas recheadas ao invés do bom e velho saco vermelho. A eles sim, cabem todas essas ingratas necessidades. Mas a fábrica deles não produz sonhos, tampouco alegria, dignidade, amor, ou coisas do gênero, ao contrário, produzem somente àqueles que dali entram e que dali saem, diariamente.

Cobramos o que nos é de direito. Isto não é hipocrisia.

No mais, que o próximo Natal, seja um pouco mais iluminado que este, que as luzes cubram o todo, que a sombra não mais sobreviva, que a esperança e a fé sejam, de uma vez por todas, soberanas, para que não seja preciso mais estender as mãos.


Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
Vicente Kresiak Canato.